Depois de extintos, há hoje mais de 3000 veados na Serra da Lousã

  

Serra da Lousã foto de Maria Augusta Pinto

Programa de reintrodução do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro apresenta resultados.

Há mais de 3000 veados a viver em estado selvagem na Serra da Lousã e áreas envolventes. Descendentes de cerca de uma centena de animais reintroduzidos na Serra no final dos anos 90, numa altura em que a espécie estava extinta na Lousã desde meados do século XIX, o balanço da reintrodução, coordenada pela Unidade de Vida Selvagem (UVS) do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro (UA), faz deste um dos maiores êxitos nacionais e europeus entre os programas de fomento e conservação da biodiversidade. Os biólogos envolvidos garantem que “o veado é hoje em dia, definitivamente, um ex-libris de toda a Serra da Lousã, tendo um forte potencial económico, cinegético e turístico”.

Vinte anos depois “os resultados obtidos demonstram que a reintrodução de veados na serra da Lousã foi um sucesso, não só pela sua sustentabilidade biológica e ecológica, como também pelo número de efetivos e a área de distribuição atuais”, aponta Carlos Fonseca, coordenador da UVS e o biólogo que, desde a primeira hora, está por de trás do programa iniciado em 1995.

A crescer entre o Mondego e o Zêzere 
Vinte anos depois da monitorização regular das populações libertadas, quer a nível da densidade e abundância, quer a nível biológico e sanitário, num artigo publicado no último número do International Journal of Biodiversity Science, Ecosystem Services & Management a equipa de investigadores do Departamento de Biologia e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA, para além de apontar o enorme crescimento da população de veados ao longo do tempo, sublinha também o sucesso no que toca à vasta distribuição geográfica dos animais. 

“A área de distribuição atual, superior a 90 mil hectares, é fruto da expansão dos veados em várias direções, com especial destaque para Nordeste, ao longo da Cordilheira Central em direção à Serra da Estrela, estando limitada a norte pelo rio Mondego e a sul pelo rio Zêzere”, aponta a bióloga Ana Valente, uma das autoras do artigo agora publicado.

A investigadora lembra todo o “potencial económico, cinegético e turístico” que o hoje os animais representam não só para os concelhos da Serra da Lousã como também para toda a região envolvente. E se a atividade cinegética é hoje um importante motor de desenvolvimento da região, há também o ecoturismo, com destaque para a época de acasalamento que ocorre entre setembro e outubro, e que todos os anos atrai centenas de pessoas à Serra. A criação da Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto e, recentemente, da Associação de Desenvolvimento da Serra da Lousã (ADSL), são apenas algumas das iniciativas que floresceram com o objetivo de sensibilização ambiental, de exploração turística da Serra e de envolvimento das populações locais com os recursos naturais e culturais que a serra oferece.