O legado de Nathan Drake não está perdido

  

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O novo título da saga Uncharted (The Lost Legacy) é o primeiro que não conta com Nathan Drake – o explorador que nos habituou a enfrentar o perigo com um sorriso nos lábios e uma piada sarcástica no bolso. A história está a cargo da dupla Chloe Frazer/Nadine Ross e a crítica não tem dúvidas: o legado ficou bem entregue.

Nos últimos anos, a internet popularizou um teste que avalia a forma como as mulheres são representadas numa história. A regra do teste de Bechdel é simples e consiste apenas numa pergunta: “existem, em alguma parte da narrativa, pelo menos duas mulheres que falam entre si sobre algo que não seja um homem?”. 

A condição parece simples de cumprir. Contudo, a realidade pode surpreender-nos: dos mais de 7000 filmes analisados pela base de dados de bechdeltest.com, apenas 57,5% fornecem uma resposta afirmativa à questão. Este número tem sido apontado como um indicador de uma representação simplista das mulheres em filmes, séries e, mais recentemente, videojogos.

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Olhando o passado da indústria dos videojogos, mesmo em títulos onde as personagens femininas assumem um papel crucial – como Bioshock: Infinite ou The Last of Us – estas são, muitas vezes, colocadas num papel secundário ou de “auxílio” ao ator principal.

E depois de Nathan Drake?
Os primeiros quatro jogos de Uncharted poderiam ter dificuldades em passar o teste de Bechdel, ao serem títulos que alimentavam o seu motor de jogo com a testosterona de Nathan Drake – uma espécie de fusão entre Indiana Jones e James Bond. Esse não é, de todo, o caso do novo título The Lost Legacy, que surge depois da “reforma” do explorador. Nos principais papéis, surgem agora duas mulheres: Nadine Ross e Chloe Frazer.

Ainda que a crítica descreva a fórmula do novo título Uncharted como muito próxima à dos títulos anteriores, o jogo tem recebido vários elogios. E a escolha destas duas personagens principais está na base da maior parte deles. O portal IGN, por exemplo, destaca “a fantástica dinâmica entre Nadine e Chloe” como o “principal elemento que nos impulsiona através desta aventura”. “Explorar o seu passado, descobrir as suas motivações e vê-las crescer é simplesmente fantástico”, reforça Marty Silva.

De igual forma, o site Gamespot coloca em evidência, logo na primeira linha, a “química de equipa que abunda” neste título e que “não assenta em piadas inspiradas em Nathan Drake”. Embora as primeiras horas do jogo soem a um Uncharted Greatest Hits, acrescentam, “o jogo cresce para uma experiência mais diversificada e inteligente que se assume como um dos melhores títulos da saga”.

De acordo com o jornal The Guardian, a explicação para esta dinâmica pode residir na forma como duas personagens “falam e discutem sobre muitos temas”, numa relação “interessante desde o início e que se desenvolve ao longo do jogo“. De resto, também para o jornal britânico, a relação entre as duas personagens é o ponto forte deste título. “A única coisa verdadeiramente inovadora neste jogo são as protagonistas – e elas mostraram claramente que não necessitam de [Nathan] Drake”.