Ir para fora cá dentro: o outro lado da internacionalização

  

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Universidade de Aveiro aposta em "internacionalização em casa". Estratégia assenta na visão de que a globalização não passa apenas pelas relações internacionais. 

O conceito "internacionalização em casa", explica a UA, em comunicado, prevê outras vertentes da internacionalização, "para além das estratégias e das ações desenvolvidas pelas cúpulas e pelos serviços de relações internacionais das instituições". O objetivo é alcançar uma política de internacionalização mais sustentável e integrada.

Estas vertentes passam, por exemplo, pela internacionalização do currículo, ou seja, pela inclusão intencional de uma perspetiva internacional, global ou intercultural nos objetivos, metodologias e conteúdos dos planos de estudo das unidades curriculares. Por outro lado, é também importante o contacto que é proporcionado aos estudantes nesses contextos com as línguas e com outras perspetivas socioculturais.

Desde 2015, as investigadoras do Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF), Mónica Lourenço e Susana Pinto, têm vindo a participar e a colaborar em atividades de debate a formação nesta área, promovidas pela Reitoria e/ou no âmbito dos seus projetos financiados pela FCT e com vista à internacionalização das práticas de ensino-aprendizagem.

Docentes mais sensibilizados para cidadania global
A título de exemplo, em novembro e dezembro de 2016, foi dinamizada por Susana Pinto uma ação de formação para docentes da UA intitulada "A competência intercultural na internacionalização do ensino superior: construção de propostas com docentes da UA". 

Como notou a investigadora, Mónica Lourenço, nas entrevistas que realizou a alguns docentes do Departamento de Educação e Psicologia da UA e que deram origem a um poster apresentado no Research Day da UA em 2016, os docentes estão pouco conscientes do papel que podem e devem desempenhar na internacionalização.

Neste âmbito, desde 2016, Mónica Lourenço tem vindo a desenvolver sessões colaborativas com os docentes do Departamento de Educação e Psicologia no sentido de os apoiar na conceção, desenvolvimento e avaliação de práticas de internacionalização do currículo, capazes de educar os futuros educadores e professores para a cidadania global.

Columbus Hub Academy apoia internacionalização em casa
Um outro exemplo de trabalho em torno da internacionalização do currículo ocorreu em setembro e outubro de 2016 na unidade curricular Marketing Digital, da licenciatura em Marketing do Instituto Superior de Contabilidade e Administração da UA (ISCA-UA).

Os estudantes do ISCA-UA, sob orientação da docente Belém Barbosa, realizaram um trabalho curricular em colaboração com estudantes mexicanos da Universidade de Colima, México, sob orientação de Claudia M. Prado-Meza.

O trabalho curricular foi desenvolvido com apoio da Columbus Hub Academy (http://www.columbus-hubacademy.org/) que procura promover a conceção e implementação de projetos internacionais, online, de ensino e aprendizagem. Na avaliação da atividade, a grande maioria dos participantes indicou ter sido esta a primeira iniciativa de internacionalização em contexto académico em que participou e todos recomendaram a outros professores a inclusão de atividades semelhantes nas suas unidades curriculares.

A pouco e pouco, ambiciona a Pró-reitora Gillian Moreira, procura-se "alargar a base para uma internacionalização ainda mais abrangente na UA".