
A Forum Estudante, no âmbito da MISSÃO 1º EMPREGO, promoveu nos dias 23 e 24 de Janeiro, na Foz do Arelho, o Encontro Nacional de Gabinetes de Saídas Profissionais do Ensino Superior.
Representantes de 35 instituições do Ensino Superior reuniram-se no Inatel daquela bela vila à beira-mar para abordar diversas temáticas da inserção profissional e integração no mercado de trabalho dos jovens diplomados.
No primeiro dia, a maré da lagoa de Óbidos estava vazia e nela emergiam inúmeros bancos de areia. Nessa manhã houve tempo para uma apresentação de cada participante – de Beja ao Porto, de Évora a Aveiro – e para escutar os dois oradores convidados: Fernando Medina – ex-secretário de estado do emprego – e Tiago Forjaz – fundador da rede The Star Tracker. Fernando Medina falou de "boas notícias que não ajudam muito" – como é o facto de se saber que os licenciados têm uma empregabilidade muito maior que os não licenciados – e de más notícias que ajudam ainda menos – como a recessão de 3% de que nem temos noção do que será e do facto da saída da crise não estar nas nossas mãos. O primeiro conferencista terminou com a boa notícia de que, historicamente, Portugal sempre conseguiu sair das suas crises, demonstrando uma enorme capacidade de plasticidade e resiliência.
Tiago Forjaz apresentou aquelas que considera ser as grandes mudanças no mundo do trabalho: trabalho individual está a passar a ser mais trabalho em grupo; competição evolui para colaboração; de uma visão de curto prazo para uma de longo prazo; de valorização da experiência passa a valorizar-se mais o talento; os conteúdos dão cada vez mais lugar aos contextos; da qualificação tem-se evoluído para a capacitação; da visão local para perspectiva global; as tarefas e funções dão lugar às missões; o tempo é cada vez mais um valor; e o fixo dá lugar ao móvel. O fundador da rede de talento português enfatizou ainda a importância de não confundir as pessoas com aquilo que fazem porque "a próxima geração não quer ser o que faz mas quer fazer o que é".
Da parte da tarde o encontro prosseguiu com as apresentações de cada um dos Gabinetes – que variam em nome mas que têm todos por missão a empregabilidade dos estudantes universitários. Foi pedido aos participantes que sublinhassem as Boas Práticas que já desenvolvem ou que pretendem implementar. O resultado foi uma tarde inteira de troca de ideias e experiências que foi "muito útil para o nosso trabalho", "a sessão que mais interesse me despertou", e "provavelmente o tempo mais importante deste encontro", palavras de alguns dos participantes. Uma das últimas intervenções realçou a importância da paixão que é preciso ter em qualquer trabalho e, em especial, nesta missão específico de facilitar o acesso ao mercado de trabalho dos nossos estudantes. Só com paixão pelo que fazemos conseguimos avançar para onde queremos!
As refeições foram momentos de convívio informal que alimentaram novos contactos e conhecimentos, em conversas animadas que completaram as sessões em sala.
No segundo dia, a primeira parte da manhã foi preenchida com as intervenções de Hugo Bernardes da Ray Human e de Miguel Luís da Associação Portuguesa de Recursos Humanos. Estes convidados abordaram temas específicos relacionados com a procura de emprego, entre os quais se destacaram: a importância da presença nas redes sociais; o ganho que são os suplementos aos diplomas; as acções de voluntariado e em grupos juvenis; o investimento em si próprio é muito mais do que tirar um curso; e a necessidade de cada um se conhecer bem a si próprio. A segunda parte da manhã foi preenchida com a apresentação entitulada: Europass – Cinco documentos e um kit de formação. Ana Paula Jordão e Catarina Oliveira, do Centro Nacional Europass, explicaram em detalhe as características dos cinco documentos do Europass: Europass CV, Europass Passaporte de Línguas, Europass-Mobilidade, Europass Suplemento ao Diploma e Europass Suplemento ao Certificado. Estes documentos permitem a transparência e comparabilidade de qualificações ao nível da Europa. As conferencistas divulgarem ainda o dado curioso de que Portugal é o país que mais aderiu a este modelo Europass.
Depois do almoço o encontro prosseguiu com a apresentação da iniciativa europeia "New Skills for New Jobs" que reflecte a preocupação da Europa em adequar as competências dos seus trabalhadores aos novos empregos que surgem ou irão surgir. Ana Bela Antunes, do Ministério da Segurança Social, explicou aos participantes que aquela iniciativa se tem vindo a adaptar às situações provocadas pela crise económica. De um paradigma inicial de Sociedade do Conhecimento passou-se nos últimos anos a um modelo de respostas prioritárias para a crise. As competências mais requeridas são aquelas do foro socio cultural – interculturalidade, trabalho em equipa, auto-gestão, etc –, da capacidade de gestão do próprio tempo, flexibilidade e multitasking. Ana Bela Antunes referiu-se também à Estratégia Europeia 2020 que pretende que os países membros apostem num crescimento inteligente, sustentável e inclusivo. Os grandes objectivos desta agenda são: 1. Atingir uma taxa de emprego (20-64 anos) de 75%; 2. 3% do PIB de cada país seja investido em I&D; 3. Redução significativa dos gases atmosféricos; 4. Conseguir uma Taxa de Abandono Escolar inferior a 10%; 5. Taxa de população activa com licenciatura atinja os 40% (actualmente em Portugal é de 24,8%).
Para finalizar o Encontro com chave de ouro, os participantes tiveram oportunidade de escutar e ver o professor Mário Centeno a apresentar o seu estudo sobre "O Investimento em Educação em Portugal: Retornos e heterogeneidade". Começou por citar um professor de Harvard, Derek Bok, que afirmou "If you think education is expensive, try ignorance". Caso contrário, certos patamares educativos podem ser postos em causa. Apresentou números e alguns dados curiosos como aquele que indica que a esmagadora maioria das pessoas licenciadas casa com pessoas também licenciadas! E foi ao encontro do que havia sido dito no primeiro dia por Fernando Medina: apesar de tudo, tirar uma licenciatura compensa, porque aumenta em muito as oportunidades de emprego. Mário Centeno referiu também que os três grandes investimentos económicos são: a educação, a emigração e a procura de emprego. A apresentação deste estudo, na fronteira entre a educação e a empregabilidade, agradou visivelmente aos participantes no Encontro. No final, esperava cá fora um pôr do sol magnífico e a beleza da lagoa de Óbidos, agora na maré cheia, sinalizava que nestes dias nos tínhamos enchido de confiança e ideias para os próximos tempos!



